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Como a inteligência artificial pode agregar na sala de aula?

É preciso ter um objetivo pedagógico claro para a sua utilização, analisar de forma crítica os seus resultados e abordar temas como segurança e ética





Três em cada dez estudantes já usaram inteligência artificial (IA). É o que diz uma pesquisa do Google em parceria com a Educa Insights. O relatório também apontou que 86% dos jovens acreditam que a IA será eficaz na resolução de dúvidas e problemas e 73% querem mais tecnologia na escola.

 

Marina Feferbaum, coordenadora do Centro de Ensino e Pesquisa em Inovação (CEPI) e professora da Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV), comenta sobre a importância de olhar para a questão da inteligência artificial atualmente.

 

“Não podemos ter uma visão maniqueísta de que a inteligência artificial é muito ruim ou muito boa para o estudante”, diz. “O fato é que ela está aí. E precisamos empoderar os nossos alunos e alunas para lidarem com isso. Porque, na ponta, é algo que o mercado de trabalho vai pedir.”

 

Como usar de forma positiva a inteligência artificial na escola

 

A primeira coisa que o professor precisa fazer, antes de iniciar a utilização de qualquer ferramenta tecnológica, é pensar qual o propósito de aprendizagem almejado com aquele recurso “Não se usa a inteligência artificial por usar, mas tendo um objetivo muito claro para isso”, reforça a especialista.

 

Além disso, existem alguns cuidados a serem tomados. O chamado “letramento digital” é importante para que os alunos possam ver essas ferramentas tecnológicas cotidianas como algo que não vai prejudicá-los. Segundo Marina, alguns temas importantes que devem ser abordados pelos educadores são:

 

  • ‘Alucinação’ das IAs generativas: muitas vezes, elas inventam respostas que não são corretas. Por isso, é necessário verificar a veracidade das informações passadas pela ferramenta.

  • Prompt bem desenhado: o prompt é a forma como as pessoas solicitam, pedem e dialogam com a tecnologia. Quando é bem formulado, a resposta da ferramenta deixa de ser genérica e torna-se assertiva e específica.

  • Proteção de dados: cuidar da privacidade dos alunos é fundamental. Os responsáveis precisam analisar quais tipos de dados estão sendo coletados e como as ferramentas os armazenam.

  • Produção de vieses: um dos problemas da inteligência artificial é a reprodução de determinados preconceitos sociais nos resultados entregues, sejam eles textos ou imagens. Por isso, a tecnologia precisa ser vista de forma crítica e não como verdade absoluta.

  • Falta de acesso: é preciso mostrar aos alunos que, atualmente, existem pessoas que não têm a oportunidade de utilizar esses recursos. Assim, formam-se alunos mais conscientes em relação a essa desigualdade.

 

Temos que sempre ler os resultados de uma maneira bastante crítica”, comenta a coordenadora. “Também acho importante entender o papel dessa tecnologia e como colocar o ser humano no centro desse uso. Há um movimento muito forte de inteligência artificial responsável, para um uso ético de todos esses recursos”.

 

Impactos ao incluir a IA na escola

 

Um dos exemplos positivos do uso da inteligência artificial, que as escolas têm se apropriado, é relativo à personalização do ensino. “Muitas vezes, ela consegue antecipar quando o aluno está tendo dificuldade em matemática ou sugerir exercícios para que tenha melhoria em alguma fragilidade”, conta Marina.

Isso extrapola para vários outros campos, como pesquisa, ensino, extensão e até mesmo para a gestão de uma instituição de ensino. “Um exemplo da parte administrativa é que já é possível prever quando um aluno vai evadir ou deixar de pagar a mensalidade. Isso é muito importante para o planejamento financeiro de uma instituição”, aponta.

 

Ainda assim, os cuidados seguem sendo tomados. Na Europa, recentemente, houve a aprovação do AI Act, a regulação de inteligência artificial, que deve entrar em vigor até 2025. No Brasil, também há uma discussão de um projeto de lei que regula essa questão.

 

“O uso de inteligência artificial na educação é considerado de alto risco”, destaca a especialista. “Isso é um super desafio, porque a legislação impõe muitas obrigações para quem usa a IA na instituição de ensino, em razão dos perigos que ela pode causar”.

 

Marina acredita que, no meio educacional, os próximos passos são refletir sobre os princípios éticos para o uso da inteligência artificial. “As instituições precisarão de um comitê, um assessor ou uma figura responsável pelas escolhas dessas ferramentas, para que exista um uso seguro dessas tecnologias”.



Marina Feferbaum falará sobre o tema “Como a IA pode agregar na prática da sala de aula?” no GEduc 2024. 

 

O GEduc é o maior Congresso de Gestão Educacional do país. Realizado pela HUMUS, empresa que desenvolve capacitações para gestores de universidades e escolas, o evento reunirá mais de 80 palestrantes e conteúdos inovadores para discutir o tema “Educação por essência: construindo trajetórias”. Serão três dias – de 03 a 05/04 – de imersão às novidades e tendências da área educacional. As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo link.

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