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Arquitetar futuros é formar pessoas capazes de pensar de forma crítica e aprender sempre

  • 25 de fev.
  • 4 min de leitura

Mais do que profissionais, as instituições de ensino devem ajudar a construir cidadãos conscientes de seu papel no mundo, que saibam questionar, argumentar e fazer boas escolhas


Tema do GEduc 2026, “Arquitetar Futuros: Educar, Liderar e Transformar” é um convite para os gestores educacionais imaginarem caminhos, redesenharem práticas e ajudarem a construir trajetórias que gerem impacto real na vida dos estudantes.


Nesse contexto, o blog do GEduc entrevistou Sandro Magaldi, um dos maiores especialistas em gestão estratégica e inovação no Brasil. Coautor do best-seller “Gestão do Amanhã” e cofundador do meuSucesso.com, uma das principais plataformas de empreendedorismo do país, ele vai ministrar a palestra “Arquitetar futuros - a estratégia para sobreviver e prosperar no amanhã”. A apresentação vai acontecer no primeiro dia do evento, 25 de março, às 11h20, no Congresso de Gestão Educacional. Confira como foi a conversa com ele:


GEduc: Como a educação pode contribuir para arquitetar futuros?

Sandro Magaldi: Educação não é sobre preparar pessoas para um mundo que já existe, mas para um mundo que ainda está sendo construído. Ela é a principal infraestrutura invisível do futuro. Quando uma sociedade educa bem, ela amplia sua capacidade de imaginar, criar, decidir e se adaptar. Educação é o que transforma potência em realidade: talentos em contribuição, curiosidade em inovação e inquietação em progresso. 

Assim, a educação precisa deixar de ser vista como “preparação para a vida” e passar a ser entendida como “vida em movimento”. Aprender não é fase; é condição permanente. Quem para de aprender, para de crescer -- como pessoa, como profissional e como sociedade.


GEduc: E como fazer isso na prática?

Sandro Magaldi: Arquitetar futuros é, antes de tudo, formar pessoas capazes de ler contextos complexos, fazer boas perguntas, tomar decisões éticas e estratégicas e aprender continuamente. Sem isso, qualquer projeto de futuro vira apenas discurso bonito sem gente preparada para realizá-lo. Em um ambiente cada vez mais complexo e repleto de paradoxos, contribuir para que as pessoas desenvolvam pensamento crítico e sistêmico é essencial para a emancipação do indivíduo. Esse, em minha opinião, é o objetivo central da educação.



GEduc: Nessa perspectiva, qual o papel das instituições de ensino?

Sandro Magaldi: A instituição de ensino não constrói só profissionais. Ela deve ajudar a construir pessoas conscientes, que entendem seu papel no mundo, e cidadãos críticos, que sabem questionar, argumentar e fazer boas escolhas. Também deve formar profissionais adaptáveis, que aprendem rapidamente e acompanham as transformações do mundo, e líderes humanos que sabem gerar resultado sem perder gente no caminho.


GEduc: Para isso, em quais dimensões ela pode atuar?

Sandro Magaldi: Ela deve atuar em três grandes dimensões: a cognitiva, que inclui ensinar a pensar, não só a repetir; a humana, desenvolvendo valores, empatia, ética e propósito; e a prática, ao conectar conhecimento com realidade, trabalho e impacto social. A instituição de ensino ajuda a construir não apenas o “o que as pessoas sabem”, mas principalmente “quem elas se tornam”.


GEduc: E o que cabe aos gestores nesse cenário?

Sandro Magaldi: O gestor educacional é, na prática, um arquiteto de ambientes de aprendizagem. Ele não é só quem administra recursos, mas quem define o clima cultural da instituição, lidera a execução da estratégia do negócio, estimula ou sufoca a inovação e valoriza ou ignora as pessoas. Seu papel é alinhar quatro sistemas: o projeto pedagógico, a cultura organizacional, a estratégia e as pessoas. Gestor que só cuida de planilha constrói escola que funciona. Gestor que cuida de gente constrói escola que transforma.


GEduc: Poderia dar um exemplo de como isso acontece no dia a dia das instituições?

Sandro Magaldi: Sim, podemos ver a atuação da gestão nas pequenas decisões do cotidiano: no jeito que o professor é escutado, no espaço dado ao aluno para se colocar, na abertura para testar novas metodologias, na forma como os erros são tratados, no estímulo à colaboração entre as áreas e na escuta ativa das demandas das famílias. 

Vou citar um exemplo bem concreto: em uma organização que acompanhei, o foco inicial era só em resultado. Quando passaram a investir fortemente em formação de lideranças, clareza de papéis e cultura de diálogo, os indicadores mudaram: mais engajamento, mais inovação, menos conflitos internos e melhor desempenho geral. Não foram ativados apenas sistemas formais. Foi gente aprendendo a trabalhar melhor, pensar melhor e se relacionar melhor.


GEduc: Para finalizar, que mensagem mandaria para as lideranças educacionais?

Sandro Magaldi: Vocês não gerem apenas instituições. Vocês gerem futuros. Cada decisão de vocês impacta não só números, mas histórias, trajetórias e destinos. Cuidem da cultura. Cuidem das pessoas. Cuidem do sentido do que fazem. Porque no fim, não são prédios, sistemas ou metodologias que mudam o mundo. São pessoas -- formadas por educadores que entenderam o tamanho da responsabilidade que carregam.


O GEduc é o maior e principal Congresso de Gestão Educacional do país. Realizado pela HUMUS Educação, o evento reunirá, em 2026, mais de 80 palestrantes e 1.500 congressistas. Serão três dias de imersão - 25 a 27/03 - ao redor do tema central “Arquitetar Futuros: Educar, Liderar e Transformar”. Garanta sua vaga aqui.

 
 
 

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